Polícias do Estado mataram 2 pessoas por dia em 2015; em Araras 3 foram mortos em confronto com a PM durante todo o ano

 

Policiais civis e militares, em serviço ou de folga, mataram 798 pessoas no Estado de São Paulo ao longo de 2015, segundo dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública). Foi uma média de duas mortes por dia. Em Araras foram apenas três mortes registradas após confronto com a Polícia Militar em todo o ano passado.

Com relação estadual, a maior parte das pessoas foi morta pela PM, sendo 580 por policiais militares em serviço e 170 por PMs de folga. No ano passado, outras 48 pessoas foram mortas por policiais civis (em serviço ou de folga). Em Araras, embora tenham acontecido três homicídios relacionados a confronto policial, todos eles foram em apenas uma ocorrência que aconteceu em janeiro.

Na ocasião em Araras, um policial militar também foi atingido por um disparo na região do seu colete a prova de balas, efetuado por um dos envolvidos.

 

Comparação com anos anteriores

Não é possível saber se a quantidade de pessoas mortas pela PM no ano passado foi maior ou menor em relação a anos anteriores, já que até março de 2015 a SSP divulgava os dados sobre mortos por PMs em serviço, excluindo os fatos ocorridos quando os agentes estavam de folga.

“Até março de 2015, a Corregedoria da Polícia Militar utilizava uma categoria específica denominada ‘Homicídio doloso – fora de serviço (reações)’, contabilizando somente os casos em que consideravam presentes excludentes de ilicitude”, informa nota explicativa no site da SSP.

No fim de março, a SSP publicou uma resolução, obrigando a publicação dos números de todas as mortes decorrentes de intervenção policial, “estando ou não o agente em serviço”.

Os números de pessoas mortas por policiais civis em serviço ou de folga, no entanto, sempre constaram nas planilhas divulgadas pela SSP. Em relação a 2014, houve um aumento cerca de 30% na quantidade de mortes provocadas por policiais civis no Estado no ano passado.

 

Mortes em Araras

Conforme apurado pela PM, a corporação recebeu por volta das 22h10 de 23 de janeiro de 2015 uma denúncia através do telefone 190 o qual informava que indivíduos armados em um veículo Ômega GLS, de cor azul, iriam praticar roubos em residências nas cidades de Araras e Cordeirópolis/SP, e que o ponto de partida dos envolvidos seria o Condomínio “Arnaldo Mazon”, no bairro Narciso Gomes.

Segundo a PM, policiais da Rocam (Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas) seguiram em direção ao bairro indicado pela denúncia e durante o trajeto avistaram um mesmo Ômega. Ainda no boletim de ocorrência do caso os policiais afirmam que fizeram sinal sonoro e luminoso dando ordem de parada, mas que logo na sequência “foram realizados disparos de arma de fogo pelos ocupantes do veículo”, consta no registro. Os policiais afirmam ainda que tentaram realizar nova abordagem, mas aquele indivíduo que conduzia o Ômega teria feito uma manobra busca, o que ocasionou a queda de um dos pms que estava em sua moto.

Logo em seguida teve início um tiroteio entre os ocupantes do veículo Ômega e dois dos policiais militares, sendo que três dos indivíduos no carro morreram ao serem atingidos pelos disparos. Ideraldo Cassiano, de 23 anos; Bruno Eduardo Batista Teixeira, de 27 anos; e o adolescente Júlio Rafael Ramos da Silva, de 16 anos, são todos moradores no Condomínio “Arnaldo Mazon”, chegaram a ser socorridos pelo resgate do Corpo de Bombeiros, mas vieram a óbito. Um dos pms envolvidos também foi alvejado por um tiro, que atingiu o seu colete balístico, na região do abdômen, e não chegou a ficar ferido gravemente.

O confronto ocorreu exatamente no km 43+700 metros da rodovia SP-171, no Jardim dos Ypês. Foi apurado que o menor Júlio, na posse de um revólver de calibre 32, teria efetuado todos os seis disparos de capacidade da arma; Ideraldo teria realizado quatro dos seis disparos de um revólver de calibre 38 que ele segurava; e Bruno, também teria feito quatro dos seis tiros com um revólver de calibre 22. Todas essas armas foram apreendidas. Já com os dois policiais envolvidos no confronto foram feitos nove disparos com uma pistola de calibre 40 e dez disparos com o mesmo tipo de arma do pm. Todo esse armamento recolhido foi encaminhado à perícia. A Polícia Civil também recolheu o colete a prova de balas do policial atingido.

No veículo Ômega, juntamente com os indivíduos ainda estava uma adolescente de 17 anos, que inclusive está grávida de seis meses. A menor não foi atingida por nenhum disparo e ao ser encaminhada até o plantão policial permaneceu apreendida, e depois apresentada na Vara da Infância e Juventude de Araras.

Em comparação com o número de homicídios dolosos (quando há a intenção de matar) registrados no Estado em 2015 (3.757) e divulgados na terça-feira, dia 26, os mortos pelas polícias paulistas equivalem a cerca de 20%. No mesmo período, 16 policiais foram mortos em serviço, sendo 13 policiais militares e três civis.

Lucas Neri (Com informações uol.com e arquivo Opinião Jornal/Luiz Closs).

 

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *


Copyrıght Grupo Opinião. Todos os direitos reservados.